A perfumaria em todos os seus estilos

Usar bem uma amostra de 2 ml

Um perfume de nicho é caro e não se julga numa loja. Estes dois factos, juntos, fazem da amostra a única ferramenta honesta da perfumaria: alguns mililitros, alguns euros, e uma resposta que nem uma descrição, nem uma pirâmide de notas, nem uma avaliação online podem dar no seu lugar.

Este guia explica o que contém realmente uma amostra, quantas vezes se pode usá-la e, sobretudo, como servir-se dela, porque a maioria das pessoas experimenta mal e conclui pior.

O que é uma amostra de 2 ml

Dois mililitros são um pequeno vaporizador de cerca de seis centímetros, com o mesmo líquido do frasco grande: mesma concentração, mesma fórmula, nenhuma versão aligeirada. A única diferença é o recipiente.

Na prática, 2 ml correspondem a cerca de vinte a vinte e cinco borrifos. A dois ou três borrifos por utilização, isso dá oito a dez utilizações completas. É largamente suficiente para viver com um perfume, que é precisamente o objetivo: uma amostra não serve para cheirar um perfume, serve para o usar.

O formato de 10 ml responde a outra necessidade. Já não é um teste mas um uso: o suficiente para várias semanas, para levar em viagem, ou para viver com um perfume de que se gosta sem comprometer o preço de um frasco completo. Muitas coleções constroem-se em 10 ml e nunca saem daí.

A Passion Parfum propõe amostras de todo o seu catálogo, ou seja mais de cento e trinta perfumes disponíveis em pequeno formato, com todas as casas juntas.

Porque nunca deve comprar às cegas

A compra às cegas, ou seja encomendar um frasco grande sem o ter usado, é a primeira causa de frascos revendidos com prejuízo. Há três razões para isso.

A pele muda tudo. Um perfume não tem cheiro em si: tem um cheiro sobre si. O pH, a secura, a temperatura da pele, a alimentação, um tratamento em curso alteram o equilíbrio de uma composição. Duas pessoas que usam o mesmo perfume não sentem a mesma coisa, e a diferença pode ser considerável nas notas de fundo.

Uma descrição não descreve nada. « Bergamota, íris, sândalo » pode dar um perfume luminoso, empoado ou austero consoante as proporções e a qualidade das matérias. A lista de notas indica o assunto, nunca o resultado.

É o tempo que faz o perfume. O que sente no primeiro segundo desaparece em dez minutos. Aquilo com que viverá oito horas só se exprime ao fim de uma hora. Julgar depressa é julgar outra coisa.

O método: experimentar corretamente

Na pele, nunca no papel

A tira de papel serve ao perfumista para comparar matérias, não ao cliente para escolher um perfume. O papel não aquece, não transpira, e mantém as notas de topo muito para além da sua vida real. Vaporize no interior do pulso ou na dobra do cotovelo.

Um só perfume de cada vez

O olfato satura depressa: é o fenómeno da fadiga olfativa. Depois de três ou quatro perfumes cheirados seguidos, já não distingue nada de fiável. Um perfume por dia continua a ser a regra mais útil de toda a perfumaria.

Não esfregar

Esfregar os pulsos um contra o outro parte as moléculas mais frágeis e acelera a evaporação das notas de topo. Vaporize e deixe secar ao ar.

Voltar em três momentos

  • Aos trinta minutos. As notas de topo assentaram, o coração instala-se. É a primeira impressão honesta.
  • Às duas horas. Sente o perfume tal como será percebido pelos outros durante a maior parte do dia.
  • Às seis horas. Resta apenas o fundo. Se esse fundo lhe agrada, o perfume é para si. Se o aborrece, nenhuma abertura brilhante o compensará.

Usá-lo em três dias diferentes

Um perfume que o conquista no primeiro dia pode cansá-lo ao terceiro, e o inverso acontece com a mesma frequência. As composições mais ricas exigem várias utilizações para se deixarem ler. Uma amostra de 2 ml permite oito: aproveite-as.

Os erros que falseiam um teste

  • Experimentar numa loja. O ar está saturado de outros perfumes; o seu nariz já não trabalha.
  • Julgar pelos três primeiros minutos. É a parte do perfume com que passará menos tempo.
  • Pedir a opinião dos outros demasiado cedo. Espere pela segunda hora: antes disso, ninguém sente o verdadeiro perfume.
  • Vaporizar na roupa. O tecido não aquece e congela a composição; certas matérias mancham-no de forma duradoura.
  • Encadear as amostras. A tentação é real quando chegam várias. É a melhor maneira de não reter nenhuma.

Construir uma descoberta

A forma mais eficaz de descobrir a perfumaria de nicho tem três tempos.

  1. Escolha uma família em vez de um nome de casa. Se não sabe qual, parta do que já usa.
  2. Pegue em três ou quatro amostras dessa família, de casas diferentes. Compreenderá ao mesmo tempo o que vem da família e o que vem do perfumista.
  3. Use-as uma a uma, ao longo de vários dias. Anote o que resta ao fim de seis horas. É aí que está a resposta.

No final deste método, comprar um frasco grande deixa de ser uma aposta. É uma confirmação, e nisso reside toda a diferença entre uma coleção que se guarda e uma que se revende.

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